Emboscadas – A Saga.

FeaturedEmboscadas – A Saga.

Livro de Eduardo Gusmão, lançado em março de 2021 pela Editora Crystal Books.

O livro fala sobre a trajetória de três homens de gerações distintas; Emanuel, Gringo Velho e Calango do Morro. E conta também com outros personagens, tão importantes para a Saga, quanto os três supra citados.

A história tem início na antiga Sabará-MG, em meados do século XIX, época em que a escravidão ainda era vigente em nosso país. Apesar do livro não abordar diretamente o tema, chegando a evitar termos racistas e preconceituosos da época; tal fato não tira o brilho do trabalho realizado por Eduardo Gusmão, autor da obra.

Tudo começa, quando um homem chamado Nabuco, sai de sua terra natal, levando consigo a mulher e seus cinco filhos, na busca por um lugar ao sol. Depois de muitas andanças, eles chegam a Sabará de Minas e conhecem um homem chamado Francisco Flores Menestrel(Chico Flores ou Menestrel), fazendeiro pacato e conhecido amigo dos agricultores da região.

Menestrel lhe ajuda, arrendando uma parte de suas terras, concedendo-lhe espaço suficiente para o cultivo de plantas e animais. O homem logo se destaca e passa a produzir mais que muitos a sua volta e isso, acaba atraindo o olhar de outro homem, considerado um tipo de coronel daquelas bandas. Seu nome era José Rufino(Zé Rufino), líder de um grupo de caudilhos e bandidos que dominavam a região.

Sabendo de tal situação, Menestrel se antecipa, oferecendo a Zé Rufino trinta por cento de tudo que era produzido em suas terras, para que o homem deixasse Nabuco e sua família em paz. Zé Rufino não aceita e confronta Nabuco, exigindo metade de tudo que fosse cultivado por ele, em troca de uma suposta proteção. Nabuco se recusa e isso deixa Rufino muito irritado.

O homem então dá ordem, para que seus jagunços invadam as terras de Menestrel e executem Nabuco e toda sua família. O que resta ao final de tudo isso? Apenas cinzas sobre cinzas. Não fosse por um fato inesperado.

Severino(Calango do Morro), filho mais novo de Nabuco era cuidado por uma babá de nome Verbena. Ele havia passado toda aquela noite na casa desta mulher.

Logo pela manhã, Chico Flores foi lhe avisar do que tinha acontecido; e apesar da recusa de Verbena em se livrar do menino, pois estaria correndo risco se com ele ficasse, o pequeno detrás da porta ouviu toda a conversa e decidiu fugir para escapar das garras dos homens de Zé Rufino.

Começa então, a história de vida daquele que se tornaria o temido Calango do Morro, que faria de tudo para vingar a morte de seus pais.

Neste mesmo contexto, surge também um homem, peregrino, estrangeiro tentando fincar raízes naquelas terras. Seu nome era Juan José Melchior, mais conhecido como Gringo Velho.

Apesar de Gringo Velho ter travado muitas batalhas por sua vida, escapando de várias emboscadas, não sabia o que ainda estava por vir, quando em um baile de galpão, conhece a bela Sinhá Morena, filha de Zé Rufino. Eles se apaixonam um pelo outro. Isso, não é bem visto aos olhos do pai da moça e nem dos homens da cidade de Sabará, pretendentes à mão da jovem donzela.

Reunidos na casa do chefe, eles decidem acabar com a vida do Gringo e armam um plano, uma emboscada para matá-lo.

Calango do Morro é escolhido para liderar o grupo e logo aceita a missão, seguindo com seus homens para a extinta Estrada do Mutuca, à fim de esperar pelo Velho Gringo.

O embate entre eles acontece, e tudo o que ocorre a partir de então, manifesta um tipo de efeito dominó, uma reação em cadeia, que custará um alto preço para todos os envolvidos.

O livro é todo escrito em rimas poéticas. Sua influência, nitidamente inspirada em obras de grandes escritores, como: Ariano Suassuna, João Cabral de Melo Neto e Dante Alighieri; este último porque, além de ser em rimas, também é subdividido em três partes maiores e diversos poemas que se unindo compõem todo o conjunto da obra, ditando os rumos da saga. Também inspirado nas histórias de cordéis, como: A Chegada de Lampião no Céu, O Pavão Misterioso, entre outros, e segundo o próprio autor, nos causos e histórias que seus pais contavam a ele quando criança, em volta das fogueiras de São João, no bairro do Parolin, na cidade de Curitiba-PR, década de 80.

Trata-se de uma saga, pelo fato de a história cobrir um período de cerca de quarenta e três anos, ou seja, de 1845 a 1888, ano em que foi assinada a Lei Áurea pela Princesa Isabel.

Segundo o autor, está sendo preparada uma coletânea de contos sobre Emboscadas, que cobrirá todas as “brechas” propositalmente deixadas no primeiro volume, e que terá seu lançamento em meados de 2022, também pela Editora Crystal Books.

Este próximo volume, terá alguns poemas inseridos na obra, mas não será em rimas poéticas e abordará diretamente temas relacionados à racismo e escravidão.

EMBOSCADAS – A SAGA DE EMANUEL, GRINGO VELHO E CALANGO DO MORRO – Autor: Eduardo Gusmão

Você pode adquirir este e outros títulos em: http://www.editoracrystalbooks.com

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NA PELE.

Íntimo, intenso, profundo, belo e triste.

E nessa arte de poetizar a vida, a morte, a dor, paramos para observar, sentir, entender, meditar, tomar alento e depois; depois prosseguir.

Há quem ignore que só compreendemos os sinais, quando já é tarde.

Difícil é sentir na pele e não ter mais o abraço.

Edward Gannen

No Leito Do Rio (As Dores Do Silêncio).

FeaturedNo Leito Do Rio (As Dores Do Silêncio).

O céu está lindo
É noite de luar
Nos olhos um brilho
E o tempo a passar

Então sobre as águas
Há um barco a vagar
E no leito de um rio
Alguém a sonhar

Não sei se ela sabe
Ele está voltando
E vem de tão longe
Seu amor lhe entregar

Não sei se ele sabe
Ela está esperando
Contando os dias
Para lhe encontrar

O som do silêncio
Só causa temores
E a distância as dores
Com força ele volta a remar

O mesmo sentimento
Que o trás de tão longe
Em seu coração ela esconde
Então só lhe resta orar

O que ela sabe
É que toda dor vai cessar
Quando do leito do rio
Seu pequeno barco avistar

E o que ele sabe
É que toda dor vai findar
Ao vê-la no leito do rio
Somente a lhe esperar

A espera só é grande,
Quando o amor é pequeno.

Por, Edward Gannen.

O HOMEM QUE NÃO ACREDITAVA QUE O HOMEM FOI À LUA.

FeaturedO HOMEM QUE NÃO ACREDITAVA QUE O HOMEM FOI À LUA.

O BENEFÍCIO DA DÚVIDA !!!

O Homem que não acreditava que o homem foi à Lua !!!

Chamava-se Zeferino, e não havia quem conseguisse convencê-lo que o homem foi à lua. Para cada argumento Zeferino tinha uma resposta na ponta da língua:

– Você não viu as imagens na televisão? – Dizia um.

– Forjada! Para quem não sabe Hollywood fica nos States – Dizia Zeferino convicto.

– E os jornais? – Perguntava outro.

– Enganados, todos estão enganados pelo imperialismo dos americanos – Afirmava categoricamente. E desafiava: – Quero ver quem pode me provar por A mais B que o homem realmente foi à lua. Pensam que eu sou bobo? Pegam uma imagem de TV, em preto e branco ainda por cima, botam um bobo pulando de um lado pro outro, um cenário muito do mal feito, depois dizem que o homem foi à lua e este bando de inocentes acredita como se fosse a maior verdade do mundo!

Esta cisma de Zeferino ganhou fama na cidade. Naquele lugar de iletrados, alguém como Zeferino, que sabia ler e escrever e, portanto, tinha status de intelectual, afirmar que o homem nunca foi à lua era motivo de admiração e controvérsia. Não foram poucos os que passaram a apoiar a ideia, afinal era chique estar do lado da sumidade intelectual, da elite pensante, dos formadores de opinião da pequena cidade de Santa Cacilda do Norte, ou Cidinha como a população carinhosamente chamava seu ninho. Zeferino ganhou notoriedade na cidade. Sua teoria de que o homem não foi à lua e que tudo nada mais era que uma grande armação dos Estados Unidos para dominar povos ignorantes, ganhou as ruas e logo estava ele dando entrevistas na única rádio da região, esclarecendo a população dos perigos de se crer em tal absurdo:

– Hoje temos a honra de entrevistar o professor Zeferino – Dizia o apresentador promovendo Zeferino a professor, título que convinha a uma celebridade com tão vasto conhecimento, apesar de Zeferino mal ter concluído o segundo grau – Professor diga como é isto do homem não ter ido à lua.

– Simples – Falava Zeferino com a voz empostada, como ele via nos jornais da TV – Os americanos inventaram esta história! Tudo não passa de um filme ruinzinho que eles colocaram no ar dizendo que o homem foi à lua.

– Mas por que eles iriam inventar isto? – Pergunta o locutor.

– Ora, para que agente acredite neles! Porque aí começamos a achar que eles são melhores que nós. Porque nós não podemos botar um homem na lua, mas eles podem. Aí agente crê nisto, e tudo o que é americano nós passamos a pensar que é bom. E eles vão mandando – A lógica de Zeferino era irrefutável.

– E o senhor tem provas de que eles estão mentindo? – Perguntou o repórter, desta vez com um ar de desafio.

O professor Zeferino parou meditativamente, era a primeira vez que alguém pedia provas sobre o que dizia. Pairava no ar uma certa tensão. Zeferino respirou fundo e falou:

– Claro que tenho! – Disse tentando dar firmeza à voz – me dê uma máquina de filmar, uma roupa de astronauta e um cenário que eu faço igualzinho ao que eles fizeram! E tem mais, faço colorido!

Era o que faltava. Zeferino ganhou ainda mais notoriedade, se tornou a maior celebridade na cidade. O prefeito, simpatizante das idéias anti-americanas, resolveu financiar o projeto para desmascarar os Yankees. Finalmente teriam uma prova de que o homem não foi à lua.O filme proposto por Zeferino foi rodado. Pago com dinheiro público, naturalmente. Foi uma superprodução: Um capacete de escafandro, conseguido sabe Deus como, fez a vez de capacete de astronauta; Dona Dadá a maior costureira da região foi a responsável pelo figurino; no mais, marceneiros, ferreiros e pedreiros produziram uma réplica fiel, pelo menos ao ver da cidade, da tal nave e o cenário ficou por conta de Tonho do Bar, o artista plástico local. A direção e os efeitos especiais ficaram a cargo do professor Zeferino; um pouco de fumaça de extintor, algumas tomadas no escuro para esconder a corda que prendia Reizinho, o ator principal, filho do prefeito, para dar a ideia de estar flutuando, e pronto! Estava pronta a grande prova que desmascarava de uma vez por todas os americanos!

O dia da exibição do filme foi uma maravilha. A cidade toda na praça para assistir a superprodução que levaria Cidinha a ser mundialmente conhecida. Primeiro, o discurso do prefeito, falando de suas inúmeras realizações, do orgulho da cidade em ser a primeira no mundo a desafiar e vencer o poderio americano, conclamando os cidadãos a serem corajosos, pois, a partir da exibição daquele filme, não se poderia saber qual seria a reação dos americanos. Depois do breve aplauso dos presentes ele passou a palavra de Zeferino. Não precisa dizer que a praça veio a baixo, ou acima, tal a quantidade de poeira que subia do chão sem calçamento. Zeferino começou a falar. A poeira no ar atravessada pela luz artificial, contratada especialmente para aquela ocasião, dava um clima de sonho às palavras de Zeferino. Emocionado ele falava sobre a verdade que finalmente seria revelada. Falava de como chegou às suas conclusões sobre a farsa americana. Perguntava-se como tantos foram enganados por tanto tempo. Finalizou dizendo que era chegado o tempo da verdade triunfar e que coube a ele, e ao povo cidinhense, a revelação da verdade para o mundo! Mais ovações, mais poeira, alguns com os olhos coçando por causa da poeira e outros com os olhos coçando por causa das lágrimas, mas dizendo que era poeira. O orgulho local estava exaltado. Faltou muito pouco para que a valorosa cidade de Santa Cacilda do Norte declarasse guerra aos Estados Unidos, mas, para nossa sorte, Zeferino era um homem de paz.

Depois de tudo o que foi dito houve a exibição do filme de Zeferino. A platéia estava empolgada tentando identificar quem era quem e onde era onde. Identificar pessoas e lugares da cidade. Comentários sobre a perfeição da reprodução eram comuns.

– Até parece a lua mesmo ! – Falavam unânimes

– O Reizinho parece até astronauta, até pula que nem eles – Elogiavam

– Veja a Terra! – Diziam para orgulho de Tonho do Bar que pintou a Terra em uma tela tamanho gigante

– E é colorido! Muito melhor do que aquele filme preto e branco dos americanos! – Disse outro para gáudio de Zeferino.

A exibição não durou mais que meia hora, tempo suficiente para os aplausos e chapéus no ar. O sucesso foi estrondoso e ficou melhor ainda com o quentão, o forró e a quermesse programados para o final do evento. A cidade estava em delírio, só se falava do revide americano, os Yankees não iriam deixar a coisa assim, não! A coisa teve tal repercussão que outras cidades da região abraçaram a causa da cidade de Cidinha, e logo toda a região estava rezando pela cartilha do professor Zeferino que já estava sendo cotado para suceder o prefeito e já se tinha sua eleição como certa.

Acontece que estava de passagem na cidade um funcionário da NASA que ficou entre intrigado e divertido quando viu o rebu por causa da tal teoria. Não demorou muito para que descobrisse em Zeferino o mentor intelectual de todo aquele movimento. O tal funcionário decidiu desmascara Zeferino, quebrar-lhe a crista e mostrar àquele povo qual era a verdade afinal. Ele foi até nosso herói, e disse que iria levá-lo aos Estados Unidos, mostraria a Zeferino o que a NASA tem e provaria a verdade que Zeferino iria contar, com sua própria boca, ao povo.

Zeferino que não era bobo nem nada impôs uma condição: Que ele fosse com uma comitiva, afinal estando sozinho quem garantiria sua vida? Conseguiu um colete a prova de balas e proteção de dois policiais da cidade, de sua inteira confiança. Além é claro, de levar consigo o seu amigão Reizinho, o filho do prefeito, que ele conhecera durante as filmagens.

Na NASA Zeferino tomou conhecimento de toda a estrutura da Agência Espacial, dos documentos, cálculos, maquetes, projetos, simulações, assistiu o lançamento de foguetes e de ônibus espaciais, mas nada o convencia. Não havendo mais nada a fazer os cientistas da NASA tomaram uma decisão: Iriam levar Zeferino à Lua!

E lá se foi Zeferino para a lua. Sob o olhar curioso da comitiva que o acompanhava Zeferino foi embarcado em um foguete que decolou ganhando altura. Ele viu a Terra ficar cada vez mais distantes, passou pelas nuvens e foi ganhando o espaço. Como Yuri Gargarin, Zeferino viu que a terra é azul, azul e distante, cada vez mais distante.

Ele estava embevecido, agora via a lua se aproximando, o foguete se preparava para o grande pouso na superfície lunar. Foi difícil despertá-lo, boquiaberto com tudo o que via. O comandante gentilmente o convidou para dar um passeio na lua. Finalmente, no solo lunar, haveria a marca de um brasileiro, brasileiro e cidinhense, sim senhor! Zeferino colocou o capacete e desceu os degraus, seu coração parecia que ia sair pela boca de tanta emoção. A seus pés a lua, no céu lá distante a amada Terra. Era muito para ele!

– E então? – Perguntou o comandante através do rádio. Lá na Terra os cientistas da NASA se divertiam com a cara de bobo de Zeferino e a sua comitiva olhava com cara mais boba ainda.

– É demais, demais! – Finalmente balbuciou

Os técnicos convidaram Reizinho para conversar com Zeferino pelo rádio. Reizinho meio tímido, se achegou ao microfone:

– Rapaz, você tá na lua! Tô te vendo aqui na televisão!

– Nem me fale, nem me fale – Disse Zeferino ainda extasiado.

– Como é que você se sente? – Perguntou Reizinho, querendo bancar o repórter, afinal lhe disseram que tudo estava sendo gravado e seria exibido lá em Cidinha.

– Me sinto em outro mundo! – Respondeu Zeferino procurando palavras – Me sinto em um filme maravilhoso!

– Filme!!!??? – Disse a voz muda da consciência de Zeferino.

De repente ele caiu em si! Como foi bobo de acreditar naquilo tudo! Claro que tudo não passava de uma farsa, um filme armado para que ele acreditasse naquela história de viagem à lua. Efeitos especiais que eles usaram em E.T e outros filmes! Pensaram que ele era besta de cair naquela história? Mas ele não era besta não! Zeferino era esperto o suficiente para não deixar-se levar por uma fantasia, por mais bem feita que fosse. Armaram tudo! Um filme passando pela janela para dar a impressão de uma viagem, fumaça de extintor de incêndio como ele mesmo fizera em seu filme. Prepararam o cenário em outro lugar para fingir que estavam na lua; produziram roupas, naves, atores, tudo para iludi-lo, para que o mundo não soubesse a verdade, mas era hora de desmascarar a farsa, era hora de por um ponto final àquela palhaçada. E só existia uma pessoa no mundo com coragem bastante para isso: Ele, Zeferino!

Ele sabia que a comitiva o observava no monitor da NASA, sabia que estavam gravando tudo. Aquela era a hora de mostrar definitivamente ao mundo quem eram os americanos! Resoluto, Zeferino tirou o capacete! Iria mostrar a todos que a tal lua era apenas mais um estúdio de Hollywood. O comandante ainda tentou impedi-lo, correu para ele, mas era tarde demais. Atônitos todos viram a cabeça de Zeferino crescer abruptamente por causa da diferença de pressão. E, à frente de todos, Zeferino explodiu.

A NASA tratou de abafar o caso, deram fim às gravações, e despediram a comitiva de Zeferino sob veladas ameaças. Reizinho contou ao prefeito que Zeferino preferiu ficar nos Estados Unidos, e esta terminou sendo a versão oficial. No início a cidade se alvoroçou, mas, como é comum na história humana, aos poucos as coisas voltaram ao normal. A pacata cidade de Santa Cacilda do Norte voltou a ser uma pacata cidade e a vida seguiu seu rumo.

Quanto ao Zeferino, bem, ele ousou acreditar, pensar, sair do lugar comum. Ousou sonhar, questionar e ser ele mesmo. Às vezes o preço a pagar é alto, às vezes nos enganamos e, não raro, nos machucamos. Mas a vida só vale ser vivida quando corremos o risco de defender aquilo em que acreditamos.

Afinal, será que o homem foi mesmo à lua?

Autor desconhecido.

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Sem Esboços e Sem Rascunhos.

Sem Esboços e Sem Rascunhos.

Em momentos de inspiração viajo à lugares imagináveis,
Somente àqueles que sonham
Àqueles que ousam trazer seus sonhos à realidade

Ao lugar onde mentes brilhantes se encontram
Pra falar do que é efêmero, mas também do que é eterno
Tangível ou não, invisível ou não

De tudo o que parece surreal, e que por tantas se torna real
Às vezes em nosso plano, outras no imaginário
Pois quantas coisas foram imaginação e hoje são realidade

Dia desses me vi por aí, caminhando sem destino certo
Meu caminho nem sempre é incerto
Nas voltas que eu dou pelo deserto

Dia desses me vi por aí, caminhando sem rumo, a esmo
Sem querer me despi do meu eu, do meu ego
Me encontrei com meu Alter Ego

Que me disse verdades e me fez refletir
Sobre fatos de minha humilde existência
E o que fiz, realmente valeu? O que posso dizer?

Cada passo e degrau
Cada dia da minha vida
Cada momento da minha luta
Cada batalha da minha guerra
Pra viver e ver realizados meus sonhos, meus planos, realmente valeu

A cada dia uma nova página
Um novo capitulo da nossa história está sendo escrito
E essa obra não têm esboços
Porque a vida meu caro(minha cara)
Não permite rascunhos.

Por, Edward Gannen

Lidando Com As Frustrações.

Lidando Com As Frustrações.

FRAGILIDADE EMOCIONAL.

As pessoas costumam julgar as frustrações da vida como algo ruim e a todo custo procuram evitá-las, não sabendo elas que estas mesmas frustrações nos dão as oportunidades que necessitamos para aprendermos a lidar com nossos sentimentos e emoções.

Constantemente ouvimos pais e mães tentando de todas as formas superproteger seus filhos, dizendo: “pelo que passei meu filho não vai passar”, e isso acaba tornando-se em si, um grande problema para as gerações futuras que serão, possivelmente falando, pessoas de intelectos mais frágeis em comparação com as gerações de agora, pois foram privadas de terem suas próprias experiências de vida, por conta do excesso de proteção dos seus pais.

Todo ser humano precisa viver suas próprias experiências, sejam elas positivas ou negativas, para assim terem a oportunidade de passar por suas próprias frustrações e superá-las, sabendo administrar conflitos; sejam eles externos ou internos, e não se tornar no futuro um adulto emocionalmente frágil.

Todo sentimento torna-se ruim quando não sabemos como lidar com ele.

Edward Gannen

Transitorius.

Transitorius.

Depois do espetáculo
As luzes se apagam
Enquanto me retiro
Aos poucos vou voltando à realidade
E por um breve momento
Pensei que não fosse acabar
É um ciclo vicioso
Cantar e tocar por horas a fio
Perder a noção do tempo
Não sentir que já está no fim
Nem perceber que as cortinas se fecharam e a luz se apagou
Mas vai voltar
E cada vez mais forte vai voltar
Eu sei…

Por, Edward Gannen.

Sussurro.

Sussurro.

Quando Deus Sussurra Seu Nome…

Sussurraste meu nome no deserto, ó Eterno, e eu ouvi.

Subi ao monte e fui cercado por Tua Presença,

Era tudo tão novo para mim;

Que por um momento, somente estive a observar, e admirar

Tudo que ouvira falar sobre Ti, até então,

Me soava de certo modo surreal, absurdo, inacessível.

Vi a sarça ardendo em chamas, mas não se consumia.

Tirei as sandálias dos pés, pois Tu me pediste.

O lugar era Santo, Tu estavas ali, ó Soberano.

Tal qual ser humano, mortal como sou, o que poderia dizer-te nesta hora?

Porém, dentre tantos me escolheste,

O sussurro era um chamado,

Mas quando entendi, sequer me empolguei.

Então, relutantemente gaguejei e disse: – Deus, sou pesado de língua, envia outro, não a mim.

Tudo parecia tão grande demais, demasiado grande para alguém como eu.

Como poderia, o tirado das águas, herdeiro bastardo de um rei que me quer morto, filho de escravos, assassino e fugitivo, ser digno de tal missão?

Mas na Tua repreensão, enquanto estive ali, envolto por Tua Glória e Majestade,

Me fizeste lembrar dos Teus pensamentos, dos Teus caminhos:

São eles tão mais altos que os meus

Teus caminhos são tão altos, tão sublimes, na verdade são perfeitos.

Tua Palavra me diz que é pra eu confiar; confiarei, em Ti somente confiarei,

Render-me-ei pois à Tua vontade, ó Eterno

E à Tua perfeição, ó Grande “Eu Sou.”

Eis-me-aqui Senhor, envia-me.

Quando a Esperança é Substituída pela Fé.

Quero trazer à memória o que me pode dar esperança. As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade. A minha porção é o SENHOR, diz a minha alma; portanto, esperarei nele.

Lamentações 3.21-24.

Em um mundo de incertezas, é comum nos depararmos com situações que nos transmitam receios, dúvidas, medos e preocupações. Mas como um dia disse o profeta no texto acima, precisamos trazer à memória tudo o que pode nos dar esperança. A palavra é o principio da fé e antes da fé vem a esperança. É ela que nos faz acreditar que dias melhores virão, e pode ser traduzida também como “aguardar ou esperar no Senhor” confiando sempre que tudo o que Ele disse, o fará.

Um dia, uma senhora veio até mim e me contou que estava passando por momentos em sua vida que lhe causavam insônia por conta das preocupações acumuladas, pois por mais que ela fosse assídua na igreja, sempre ouvindo a palavra, meditando, jejuando e orando, nada mudava e quando algo mudava para melhor, não se mantinha por muito tempo. Ao que lhe fiz uma pergunta: Senhora, qual a palavra que o Senhor lhe deu, que falou ao seu coração, lhe garante ser seu direito ter noites de sono tranquilas ou seus problemas resolvidos?

Ela me respondeu: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e a tua casa.”

Então eu disse: Esta palavra lhe garante que se você crer a sua família será salva, mas não é a palavra específica para te curar da insônia, das preocupações ou problemas que você tem enfrentado. Medite no Salmo 3.5 e no Salmo 4.8 para tratar a falta de sono, e em Filipenses 4.6-7 para a ansiedade. Quando ao meditar, a fé surgir em seu coração, confesse estas palavras descritas nos Salmos que te passei e sempre que orar, faça menção delas a Deus em suas orações. Depois que vencermos esta insônia causada por acúmulo de ansiedade e preocupação, passaremos aos outros problemas. Segundo Salomão, a palavra de Deus é saúde para o teu corpo e refrigério para os teus ossos. Parece algo absurdo, surreal, mas funcionou, e alguns dias depois ela retornou me contando que suas noites de sono – apesar dos problemas – haviam voltado, simplesmente por ter colocado em ação a sua fé sobre a palavra. E este foi apenas um dentre tantos milagres que presenciei em meu ministério sempre que pessoas comuns compreenderam e puseram a sua fé em ação após ouvir a palavra.

Quando orar, ore sobre a palavra que Deus lhe revelou.

E pôs-se Jeosafá em pé na congregação de Judá e de Jerusalém, na casa do Senhor, diante do pátio novo.
E disse: Ah! Senhor Deus de nossos pais, porventura não és tu Deus nos céus? Não és tu que dominas sobre todos os reinos das nações? Na tua mão há força e potência, e não há quem te possa resistir.
Porventura, ó nosso Deus, não lançaste fora os moradores desta terra de diante do teu povo Israel, e não a deste para sempre à descendência de Abraão, teu amigo?
E habitaram nela e edificaram-te nela um santuário ao teu nome, dizendo:
Se algum mal nos sobrevier, espada, juízo, peste, ou fome, nós nos apresentaremos diante desta casa e diante de ti, pois teu nome está nesta casa, e clamaremos a ti na nossa angústia, e tu nos ouvirás e livrarás.

2 Crônicas 20:5-9

Note que Jeosafá não busca a Deus sem conhecimento de causa, mas baseando-se em uma promessa, e esta promessa unida à fidelidade e ao compromisso de Deus para com sua palavra e seu povo, o fez mover-se em favor dos que o buscaram com esperança e fé naquele momento crítico, através do jejum e da oração. Ele colocou diante de Deus não só sua petição, mas a própria palavra que o Senhor havia dito, anos atrás, e que favorecia o seu povo.

Veja aqui neste texto o que diz Deus através do ministério do profeta Isaías.

Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim, e dos teus pecados não me lembro.
Faze-me lembrar; entremos juntos em juízo; conta tu as tuas razões, para que te possas justificar.

Isaías 43:25,26

Procura lembrar-me – é o que Ele diz –, apresenta as tuas razões para que te possa justificar. Mas lembre-se: Você não estará sozinho em seus momentos de luta e principalmente quando estiver em oração, pois Ele estará contigo e entrará com você em juízo, não para te julgar, pois no verso anterior Ele diz que é quem perdoa as tuas transgressões e uma vez perdoado, delas o Senhor não mais se lembrará. O que então Ele será pra você em juízo? Seu Advogado. O melhor de todos, e que nenhum dinheiro pode comprar.

Deus se lembra de cada promessa feita a você através das escrituras, mas ao mesmo tempo te pede; “procura lembrar-me.” Se há alguém que jamais se incomoda de que o lembremos de suas promessas, esse alguém é o Senhor. Pois sua palavra e suas promessas nos conectam diretamente a Ele sempre que às declaramos, que às confessamos.

Mas que diz? A palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração; esta é a palavra da fé, que pregamos

Romanos 10:8

A esperança dá lugar à fé, à medida que passamos a compreender a diferença entre o que temos de esperar e o que já é nosso por herança, através da palavra, agora.

Há coisas que nós como cristãos aguardamos, como a próxima vinda de Cristo ou o cumprimento de certas profecias, mas há outras que simplesmente temos que tomar posse, assumir para nós aquela palavra falada ao coração. Você está no culto, ouviu algo que te saltou aos olhos do espírito, tome para si e viva como se aquela verdade já houvera se cumprido, pois pelos olhos da fé ela já se cumpriu. Isso foi o que quis dizer Paulo, quando falou sobre “esperar contra a esperança”, ou seja, esperar na fé, pois para ela tudo já se cumpriu.

Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam.

Hebreus 11:6

Mas o que é fé?

Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem.

Hebreus 11:1

Fé é firme fundamento, base sólida. Fé é certeza. É a convicção em acreditar nas coisas que ainda não podem ser vistas a não ser pelos olhos da fé, pois precisam ser geradas primeiro no campo espiritual, para só depois serem materializadas. É como se a vida e as circunstâncias pintassem um quadro negativo sobre tudo à sua volta, mas pela fé, você escolhe confiar, acreditar que a palavra e as promessas de Deus prevalecerão e se cumprirão em sua vida.

Para finalizar quero lembrar do grande desafio que Moisés teve ao receber o chamado de Deus para libertar o seu povo. Ele foi relutante no inicio como a maioria de nós quando recebemos o chamado de Deus pela primeira vez, mas decidiu prosseguir até o final e viveu para ver seu povo ser liberto pela mão poderosa do Senhor. Tudo o que Ele prometeu a Moisés se cumpriu, e assim será conosco, se como Moisés, ouvirmos o sussurro do Espírito Santo nos chamando para prosseguir, vivendo e respirando sua palavra e o compromisso que temos com Ele. Daí então veremos os milagres e as maravilhas de Deus, no decurso do caminho, operando em nosso favor.

Não rejeiteis, pois, a vossa confiança, que tem grande e avultado galardão.
Porque necessitais de paciência, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, possais alcançar a promessa.
Porque ainda um pouquinho de tempo, E o que há de vir virá, e não tardará.
Mas o justo viverá pela fé; E, se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele.
Nós, porém, não somos daqueles que se retiram para a perdição, mas daqueles que creem para a conservação da alma.

Hebreus 10:35-39

Se somos capazes de sorrir apenas quando tudo vai bem, ou somos capazes de agradecer somente quando as circunstâncias em volta nos favorece, então ainda sequer compreendemos como é o trabalhar e o mover de Deus. Ninguém é forte o tempo todo, e nem precisa ser, porém, o que precisamos fazer é ter a confiança para descansar nos braços do Pai, em sua palavra e promessas, sabendo que tudo está no controle, não no nosso, mas no dele, e que quando nos sentimos fracos e impotentes é que Ele nos fortalece, pois seu poder se aperfeiçoa na fraqueza do ser humano. Como disse Paulo: “Quando estou fraco, então sou forte.”

Pergunte-se agora; que tipo de pessoa você é? Daqueles que recuam desanimados e desencorajados pelas lutas, ou dos que perseveram para a conservação da alma?

Moisés esperou por quarenta anos no deserto para ouvir a voz de Deus pela primeira vez, nós porém, ouvimos falar de Deus e suas promessas quase que o tempo todo. Por que então não nos permitimos ser encorajados por estas verdades que segundo Jesus, o Pai revela somente aos pequeninos? Pegue uma delas pra você e tome posse!

Poema e texto, por Edward Gannen.

O Caminho, a Espera e o Tempo…

O Caminho, a Espera e o Tempo…

O CAMINHO, A ESPERA E O TEMPO…

Olha só o que ela causa em mim, olha só!

Olha o que ela desperta em mim;

Vontade de escrever, recitar e querer

Transformar pensamentos em palavras…

Poemas, rimas, versos e prosas;

À mercê da inspira o poeta.

Olha só o que ela causa em mim!

Olha o que ela desperta em mim;

Fazer-me ousar, refletir, dissertar

Sobre coisas que nem sei o que são

Sentimentos que nem sei pra onde vão

Ao menos, ainda não…

Olha só o que ela causa em mim!

O desejo que desperta em mim;

Vislumbrar o desconhecido

O mistério me excita, me encoraja, me eleva

E me faz explorar, querer, desbravar

Pontos jamais alcançados por mentes medíocres, imediatistas, apressadas

Pois não sabem sequer, viver o momento

Conhecer o caminho, a espera e o tempo, a prova da distância

Mal sabem eles, que o universo conspira, hora a favor, hora contra

Ninguém pode prever, mas pode entender

Que a lei do destino atrelada está às nossas escolhas

Sobre o que fazemos, como e quando fazemos:

Deleitar-se na arte da conquista e da entrega

Do prazer das palavras trocadas

De estar em sua companhia

Da sensação do primeiro olhar

Do olhar seguido de um sorriso

Do sorriso seguido de um toque

Do toque seguido de um abraço

Do abraço seguido de um beijo

Das carícias que expressam sentimentos

Corações em êxtase, conectados, interligados, apaixonados

Corpo, alma e emoção, interagindo na mesma sintonia, no mesmo pulsar

Almas gêmeas que não se podem separar,

Tamanha seria a dor…

Pois quando a chama se apaga, se é que se apaga

Os que não pularam etapas

Ainda viverão o amor.

EDWARD GANNEN.

VISÃO DE MUNDO – A PURA E SIMPLES REFLEXÃO.

Liberar pensamentos, sentimentos e emoções. Criar personagens e belas estórias em uma nova realidade, onde o limite é a imaginação e cada elemento é parte importante do enredo e de um todo compartilhado com os leitores. Não há nada fora de lugar. Tudo está ali por um motivo e serve a um propósito.

O que realmente me motiva a escrever são as infinitas possibilidades que este universo de letras e palavras me proporciona. Algumas pessoas me perguntam o motivo de sempre citar a Bíblia como exemplo em meus textos. E eu digo: Como não citar? Pois é o mais importante livro de universo compartilhado já escrito e não por um, mas diversos autores ao longo do tempo e que correspondem a um período de mais de seis mil anos se considerarmos suas profecias. Se eu vejo a Bíblia como apenas mais um livro de literatura? Não. Mas isso não significa que não possa ser utilizada como exemplo de extraordinária obra literária. Tudo nela me encanta, me fascina. Desde fatos históricos, passando por genealogias e relatos sobre a vida de cada personagem, – que trata-se de pessoas reais – até chegar às profecias e às verdades fundamentais sobre o relacionamento do homem com Deus; isso tudo me cativa ou na verdade, me liberta.

Grandes obras sempre terão papel de suma importância para a humanidade e formação do caráter de novos pensadores, que a princípio precisam partir de algum ponto, para só então passarem a formular suas grandes ideias revolucionárias e que com o tempo serão aceitas pelo mundo. Grandes ideias antes de serem postas em prática necessitam ser estudadas, discutidas e debatidas, – para serem melhoradas e até mesmo ajustadas à novas realidades, pois vivemos em constante processo de mudança e evolução – principalmente quando envolvem o propósito de “bem coletivo”. A leitura dessas grandes obras nos ajudam a vivenciar estes “debates interiores” antes de expressarmos nossas opiniões ao mundo. É a pura e simples reflexão.

A linha de raciocínio é o caminho do pensamento. Portanto; se a sua linha de raciocínio estiver errada, seus pensamentos, opiniões e atitudes também estarão.

EDWARD GANNEN.

A Arte da Leitura.

A Arte da Leitura.

Nem sempre vejo a vida como ela é

Quase sempre vejo a vida como eu sou

Poeta, músico, escritor, romântico, aventureiro

Um sonhador

Que vive cada momento como se fosse o último

Profundo, intenso, belo, alucinante

Esculpindo a obra de arte da minha própria vida

Pois cada momento, mesmo não sendo o último, é único

Momentos, situações e pessoas

Há coisas que acontecem uma só vez na vida

Elas jamais se repetem.

A literatura é o tipo de arte que nos permite alimentar e expandir o intelecto para além das paredes da realidade que nos cerca, nos ajuda a ver o mundo de diferentes perspectivas e amplia nossa capacidade de compreensão e percepção. É o tipo de arte que aguça a imaginação tanto de quem lê, quanto de quem escreve. Ambos estão entrelaçados. Cria-se um vínculo entre autores e leitores, até mesmo quando em parte há discordâncias. Tantas são as obras com suas imortalidades e tão pouco tempo temos para devorá-las, pois estas permanecem e nós não. Desde que aqui chegamos nossos dias estão contados. Ao invés de mais um, é menos um. Menos um dia para escrever, menos um dia para ler, descobrir, refletir, aprender, despertar e viver aproveitando as infinitas oportunidades que a literatura nos proporciona ao longo dos dias que nos restam sobre a terra.

Meu primeiro livro foi “O Sapo Batista” de Vanessa Kalil, em meu primeiro ano de escola. Não me lembro de todos os detalhes da história, mas me recordo até hoje do sentimento de alegria e bem estar que tive ao escolhê-lo na estante da biblioteca do colégio Segismundo Falarz em Curitiba, e ao contemplar as gravuras dentro do livro conforme ia avançando na leitura, que era bem curta, porém cativante, e cada vez que eu relia, me fazia imaginar o universo de “Sapo Batista”. Até hoje me sinto assim quando lembro.

Outra leitura que me marcou muito na infância, foi o livro “Os Colegas” de Lygia Bojunga. Este fala sobre amizade e desigualdade social, dentre outras coisas. Me recordo do quanto me emocionava com a narrativa que transitava entre momentos que me causavam uma mistura de sentimentos, como deve ser em uma boa história. Aquele livro, em poucas páginas, cerca de cento e trinta, talvez um pouco mais, me ensinou muito sobre a vida e em como devemos nos portar com relação as outras pessoas e ao mundo que nos cerca.

Um erro que algumas pessoas cometem, é achar que os livros que contam estórias não têm muito a ensinar aos leitores. Por experiência eu digo que aprendi lendo livros como “A Cura Invisível” de Andrew Smith e “A Travessia” de William P. Young, tanto quanto aprendi com a maioria dos livros de auto-ajuda que também li no decorrer da vida. Não estou dizendo que livros de auto-ajuda não são bons, o que estou dizendo é que pode-se aprender muito sobre a vida e sobre tudo com livros de literatura e romance. É maravilhoso ter a chance de poder captar a essência de uma personagem e sua história sem que haja alguém ali tentando explicar-nos o que acontece a cada passo. Coisas explicadinhas e mastigadinhas tendem a deixar-nos com a mente preguiçosa se nos atermos somente a elas. É bom sim ler algo que nos explique, que nos mostre onde temos errado ou o que devemos fazer para vencer na vida, em nossas carreiras, em como sermos mais produtivos ou os atributos de um grande líder, mas muito melhor é quando conseguimos observar elementos na leitura e tirar lições, reflexões e conhecimento sem que alguém nos diga. Por estes e outros motivos é que aprecio todo tipo de leitura, mas principalmente as obras de romance, fantasia, biografias, ficção, suspense, literatura nacional, literatura estrangeira e literatura fantástica ou até mesmo livros históricos e que abordam temas espirituais, como por exemplo; A Bíblia . Nos fazem imaginar, e não somente nos ensinam, mas também nos inspiram a sermos pessoas melhores. E isso não tem preço.

Ainda em meus tempos de criança, costumava pegar escondido os livros que pertenciam à minha irmã mais velha. Um destes livros era “O Perfume”, um romance de Patrick Süskind. Tentem imaginar minha emoção quando muitos anos depois lançaram o filme baseado nessa história. Todo pomposo eu fazia questão de dizer a todos que o filme, com temática forte – pois se trata da história de um psicopata – era baseado em um romance que li na infância. Me recordo que me borrava de medo lendo “O Perfume”, e havia coisas que eu ainda não compreendia na narrativa. Algo que eu sempre me perguntava é; “se aquilo tudo era verdade”, pois para mim era inconcebível acreditar que o personagem principal fora capaz de fazer tudo o que ele fez. E o final do livro, me recordo de ter lido e relido diversas vezes, só pra ter certeza de que havia mesmo entendido. Achei totalmente absurdo, mas entendi.

Pra finalizar vai aqui um aviso: “O Perfume” não é leitura infantil.

Que Deus os abençoe e, espero que sua leitura tenha sido proveitosa!

Texto e poesia por,

Edward Gannen.